sábado, 15 de janeiro de 2011

Carlos Cachaça


Carlos Cachaça (1902-1999)
Comemora-se em 15 de janeiro, o dia mundial do compositor e nacionalmente no dia 07 de outubro.
Hoje nossas homenagens vão para um grande compositor brasileiro - Carlos Cachaça. Carlos de nascimento e Cachaça por ter sido apreciador da branquinha, o fato é que ele foi um dos primeiros compositores a fazer um samba-enredo.

Carlos Moreira de Castro, compositor brasileiro, o Carlos Cachaça, nasceu no Rio de Janeiro em 03 de agosto 1902. Com oito anos foi morar no Morro de Mangueira com o padrinho Tomás Martins, que foi o fundador do Morro. Foi testemunha e figurante das várias manifestações religiosas e culturais criadas pelos negros das quais o Morro da Mangueira é um centro de preservação e de irradiação.

Ao lado do grande Cartola, seu parceiro mais constante, e Saturnino Gonçalves; pai da D. Neuma, entre outros, fundou, em 1925, o Bloco dos Arengueiros, que mais tarde deu origem a Estação Primeira de Mangueira, só não esteve presente à fundação da Escola de Samba Estação Primeira, porque, naquela época, trocara a Mangueira por Inhaúma, onde morava uma certa criatura que balançou seu coração. Mas, quando a Estação Primeira começou a competir com as outras escolas, na Praça Onze, era ele quem escrevia as sinopses do enredo e as notas distribuídas aos jornais sobre as atividades da campeã dos primeiros desfiles (1932, 1933 e l934).

Em 1923 compôs seu primeiro samba Ingratidão. Foi um dos primeiros compositores a fazer um samba-enredo (Homenagem, um preito a Castro Alves, Gonçalves Dias e Olavo Bilac) e, em 1936, assinava com Cartola, Não Quero Mais Amar a Ninguém, a música que daria à Mangueira o prêmio de melhor samba no desfile das escolas daquele ano. Com Cartola compôs ainda, entre outros sambas, Quem Me Vê Sorrindo, Vale do São Francisco, Tempos Idos e Alvorada, este com participação de Hermínio Belo de Carvalho.

Foi também um dos fundadores da primeira ala de compositores a da Estação Primeira em 1938, ano em que, por sinal, conquistou o título de melhor compositor das escolas de samba, num concurso promovido pelo jornal A Pátria, realizado na antiga Feira de Amostras. Sua última participação ativa na Mangueira foi em 1948, quando a escola foi a primeira a colocar som no desfile, para o samba-enredo Vale de São Francisco. Foi o primeiro a inserir elementos históricos nos sambas de enredo, o que é uma norma até hoje.

Carlos Cachaça foi pouco interpretado pelos cantores da era do rádio. O samba Não Quero Mais Amar a Ninguém (com Cartola e Zé da Zilda) é uma exceção. Foi gravado por Aracy de Almeida em 1937 e regravado por Paulinho da Viola em 1973, no LP “Nervos de Aço” (Odeon). Época em que vários dos seus sambas passam a ser "redescobertos". Seu único disco solo é de 1976 e inclui pérolas como Quem Me Vê Sorrindo (com Cartola) e Juramento Falso.

Seu apelido de Carlos Cachaça surgiu numa casa que frequentava nos fins de semana, em companhia de outros compositores e instrumentistas musicais. A cerveja rolava, mas ele sempre pedia cachaça. Ficou sendo o Carlos da Cachaça, pois havia outro Carlos no grupo e daí pra Carlos Cachaça foi um pulo.

Em dezembro de 1980 lançou pela Editora José Olympio, em co-autoria com Marília T. Barbosa da Silva e Arthur L. Oliveira Filho, o livro “Fala Mangueira”. Em 1997, ao completar 95 anos, foi homenageado, na quadra Mangueira por ser o único fundador vivo da Agremiação.

Carlos Cachaça, trabalhou na Rede Ferroviária Federal, por 40 anos até se aposentar de 1925 a 1965 e esteve em atividades até a morte, aos 97 anos no Rio de Janeiro em 16 de agosto de 1999.


Fontes : Sérgio Cabral (Publicado originalmente na revista Veja Rio em 02 de agosto de 1995), Site Só Samba e Blog Receita de Samba

Um comentário :

  1. Pois é mais uma virtude da cachaça, conserva corpo e alma, 97 anos de arte musical...

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